Anfibios & Anuros (Salientia)

Nature Artisans

Sapos, rãs, pererecas e salamandras são anfíbios

Anfíbio é uma palavra grega que quer dizer “duas vidas”: amphi = duas e bios = vidas.

Os cientistas usam esse nome para classificar os animais que apresentam, durante sua existência, uma transformação em seu corpo que os torna capazes de viver em dois tipos de ambiente: a água e a terra. Diz-se que esses bichos realizam uma metamorfose. 

A metamorfose dos anfíbios

Na primeira fase de suas vidas, sapos, rãs, pererecas e salamandras saem dos ovos e levam um vida semelhante à dos peixes, respirando e se alimentando na água.  

Quando ficam adultos, a maioria dos anfíbios está apta à vida na terra, onde encontra alimentos. Algumas poucas espécies, apesar da capacidade de adaptar-se ao ambiente terrestre ser superior à dos peixes, vivem estritamente no ambiente aquático a exemplo das salamandras do gênero Necturus e Siren outras espécies como as do gênero Rana da ordem dos Anuros sempre vive perto da água, na beira dos charcos e brejos.   

A metamorfose dos anfíbios dura mais ou menos 11 semanas – suas fases de vida são o nascimento ou eclosão que corresponde a transformação de ovo em embrião; a fase aquática, quando a forma do seu corpo é semelhante a dos peixes com cauda e nadadeiras; e o início da vida terrestre quando são plenamente capazes de se locomover fora d’água.   

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As transformações que sofrem os anfíbios exemplificam o que aconteceu entre 400 e 350 milhões de anos atrás. Nessa época, alguns peixes, chamados crossopterígios, conseguiram sobreviver fora d'água e tiveram descendentes capazes de levar uma vida independente do ambiente aquático.

Peixes ancestrais da turma do brejo 

Os ancestrais dos anfíbios foram, então, os peixes chamados crossopterígios. Esses peixes primitivos só conseguiram sobreviver porque possuíam órgãos semelhantes aos  pulmões que absorviam o oxigênio do ar. Nos peixes, as brânquias é que são próprias para respirar na água.

Os descendentes dos crossopterígios também possuíam barbatanas, um pouco parecidas com patas, que permitiam que eles se arrastassem entre as poças no solo dos rios e lagos que secavam na estiagem. 

Anfíbio primitivo - Ictiostega

Peixe primitivo - Celacanto

Alguns desses peixes ainda vivem em pântanos, charcos e regiões que alagam ou secam periodicamente, na África (Protopterus), na Austrália (Neoceratodus) e  na América do Sul (Lepidosiren).

Os parentes da pirambóia amazonense
É na Amazônia, que ainda se encontra o famoso peixe Lepidosiren paradoxa. Seu segundo nome siginifica em português “paradoxo” ou “contradição”, porque não se sabia na época se o Lepidosiren paradoxa deveria ser classificado como anfíbio ou como peixe. Acabou sendo considerado peixe. O nome indígena desse peixe, “pirambóia”, também registra a distinção entre classes de animais, no caso dos peixes e dos ofídios, pois a tradução de seu nome é “peixe-cobra”.      

Alguns descendentes daqueles peixes pulmonados são os atuais anfíbios, ou seja: sapos, rãs, salamandras, pererecas, tritões, cobras-cegas. Esses animais dependem da água para se reproduzir e viver enquanto são jovens. A água é necessária para manter sua pele úmida, que é por onde respiram quando adultos.A maioria dos anfíbios precisa se manter próxima da água para conservar a umidade necessária à manutenção de sua vida.  Salamandra

Resumindo a história da evolução, que se aprende estudando fosseis de animais e espécies sobreviventes, imagina-se que houve uma progressiva conquista da terra firme. Sabemos que alguns peixes deram origem aos anfíbios e estes por sua vez deram origem a alguns répteis, que são ainda melhor adaptados à vida na terra que os anfíbios. Entre as razões da sobrevivência dos repteis no ambiente terrestre estão suas escamas e ovos com casca resistente. 

As escamas os protegem da evaporação da água contida no corpo deles. Os ovos agüentam o calor do Sol e são capazes de se desenvolver fora da água.

 

A classe dos anfíbios 

A classe dos Anfíbios em latim Amphibia abrange mais de 2870 espécies reunidos em 3 grupos ou ordens: Gymnophiona que inclui os minhocões ou cobras de duas cabeças e os Batráquios (Battrachia), que reúne os Urodelos ou Caudata, que é a ordem das salamandras e os Anura (sem cauda), a ordem que inclui os sapos, rãs e pererecas. 

Alguns grupos de anfíbios foram extintos, alguns possuíam um esqueleto externo especialmente na região da cabeça por isso eram chamados de Estegocéfalos, a classe atual é chamada de Lissamphibia. Um fóssil famoso é o Ichthyostega com um crânio de 15 cm encontrado na Groelândia.

As divisões desses quase 3000 animais em grupos, corresponde a identificação da forma do corpo e outras características que indiquem seu parentesco, origem e evolução. Segundo a forma do seu corpo esses animais podem ser divididos em: 

  • Ofiomorfos que não possuem membros feito ofídios ou serpentes, já se registrou cerca de 55 espécies semelhantes.

  • Lacertiformes em forma de lagartos feito as salamandras  com cerca de 225 espécies conhecidas e

  • Raniformes  na forma saltitante das rãs e sapos, que  chegam a somar 2600 espécies que caracterizam a ordem Salientia ou Anura.

Alguns anfíbios são minúsculos como o sapo - pulga encontrado no Rio de Janeiro com 8,6 mm. O maior anfíbio da ordem dos Anura que se conhece é a Rana goliath (uma "homenagem" ao gigante Golias) de 32 cm que vive na África. O maior de todos os anfíbios conhecido é um tipo de salamandra japonesa a Megalobatrachius japonicus que chega a atingir 155 cm da cabeça a cauda.

Todos os anfíbios são extremamente dependentes da água, nenhum deles nasce sem água e o revestimento de seu corpo (pele) necessita da umidade para conservar-se. A pele dos anfíbios é também um órgão auxiliar de sua respiração.

Glândulas mantém a umidade e produzem venenos 

Na pele dos anfíbios geralmente encontram-se dois tipos de glândulas. As glândulas são órgãos formados por um conjunto de células capazes de secretar líquidos e outras substancias.

A pele dos anfíbios tem glândulas mucosas e serosas. As mucosas se mantém em contínua atividade segregando um muco que tem a função de manter a pele úmida e permeável facilitando as trocas respiratórias. As glândulas serosas comuns especialmente sapos e pererecas (Anura) possuem um secreção de uma substancia granular tóxica para os animais anfíbiófagos (que se alimentam de anfíbios).

A ORDEM ANURA (SALIENTIA)

As principais características dessa ordem são: a ausência de cauda; o modo de locomoção por saltos as glândulas secretoras de veneno especialmente desenvolvidas nos sapos. Os cientistas especializados no estudo desse tipo de animais distinguem entre 5 e 15 famílias ou cerca de 31 gêneros para classificar o que popularmente designa sapos, pererecas e rãs.

A classificação que os cientistas utilizam porém não corresponde exatamente as essa divisão entre sapos rãs e pererecas pois eles se baseiam principalmente no número e formato das vértebras desses animais. Por tal critério distingue-se então 5 superfamílias:

Jump - Shawn Gould
  • Amphicoela
  • Opisthocoela;
  • Anomocoela
  • Procoela
  • Diplasiocoela

A maioria das espécies mais conhecidas como sapos e pererecas fazem parte da mesma superfamília, a Procoela, uma exceção conhecida é o sapo pipa da superfamília Opisthocoela; alguns raros sapos africanos e americanos compõem o grupo Anomocoela, os sapos da Nova Zelândia compõe o grupo dos  Amphicoela e as conhecidas Rãs fazem parte da superfamília, Diplasiocoela.
   SAPOS
 
Os sapos possuem glândulas denominadas paratóides, situadas atrás dos olhos, um local estratégico para sua defesa do ataque de um predador. Essas glândulas tem poros por onde saem um líquido branco leitoso que tem propriedades cáusticas (causa queimaduras e irritação) e tóxicas que afetam o coração e sistema nervoso.

 

Bufo ictericus, German Woehl Jr.


As espécies mais conhecidas por essa capacidade de defesa é a família Bufonidae Pelo menos 10 espécies e dois gêneros estão incluídos nessa famosa e tóxica família inclusive o nosso conhecido sapo cururu ou sapo boi (Bufo marinus).

 

    PERERECAS
O nome perereca é dado a um conjunto relativamente grande de famílias, popularmente designam sapos pequenos sem glândulas paratóides para secretar seus venenos destacando em especial sua capacidade de explorar o mundo vertical das árvores e paredes.


As famílias Hylidae que inclui os "sapinhos" verdes que sobem em árvores e as Polypedatidae ou pererecas do velho mundo apesar da cartilagem entre os dedos são espécies bem conhecidas como pererecas. As espécies com secreções venenosas utilizadas como remédios, conhecidas pelos índos como cambô são do gênero Phyllomedusa.


Espécies mais parecidas são classificadas em uma mesma família, em um mesmo gênero, por cientistas. Espécies bem conhecidas estão na família Dendrobatidae que inclui os gêneros Dendrodates; Epipedobates com várias espécies coloridas, verdadeiras jóias da floresta como costumam ser chamadas e o terrível gênero Phyllobathes que inclui a espécie considerada a mais venenosa do mundo, a perereca amarela conhecida no meio científico por Phyllobathes terribilis.

 

Hyla faber

    RÃS 

As rãs ao contrário dos sapos e das pererecas passam a maior parte de sua vida adulta na água, diz-se portanto que tem hábito aquático. São capazes de mover-se adequadamente fora d'água contudo são muito mais hábeis nadando nos charcos, brejos e lagoas onde habitam. São facilmente reconhecíveis por apresentarem membranas entre os dedos que tem a função de auxiliar sua natação.

Muitas espécies dessa superfamília Diplasiocoela, especialmente da família Ranidade, conhecidas como Rãs são criadas por Ranicultores para comercialização de sua carne e couro. A família Ranidae reúne pelo menos  560 espécies. As principais espécies utilizadas para esse fim é a Rana catesbeiana mais conhecida com rã touro gigante; a rã comum (no Brasil) a Leptodactylus ocellatus e a rã pimenta (Leptodactylus pentadactylus). 

Leptodactylus-ocellatus, Germano Woehl Jr

Observe que quanto ao número e formato das vertebras a família Leptodactylus faz parte da superfamília Procoela.  A nossa conhecida Jia é também um rã verdadeira do gênero Rana, da família Ranidade, seu nome científico é Rana palmipes.


A carne de rã é muito saborosa e nutritiva de fácil digestão, com muito pouca gordura já foi considerada medicinal. Da rã também se aproveita o couro que tem sido muito utilizado na encadernação de livros de luxo. 

A rã touro gigante tem origem na América do Norte onde é chamada de  Bull-frog (rã touro, rã touro gigante) de onde foi exportada para todo o mundo como  espécie preferida para criação. Essa preferência se explica não só por seu tamanho que chega a 0,5 kg e 460 mm de comprimento  mas também a sua capacidade reprodutiva. Calcula-se que ponhan de 5 a 10 mil ovos por postura em cada ciclo reprodutivo

A adaptabilidade dessa espécie é muito grande. Em Cuba para onde foi levada em 1919 adaptando-se ao ambiente natural onde eram caçadas, a exportação de carne tratada de rãs chegou a 900 toneladas em 1998. No Japão ocorreu fenômeno semelhante contudo atualmente em ambos os países a produção de rãs limita-se ao cativeiro pois estão quase extintas no ambiente natural.

A criação no Brasil iniciou-se em 1935 . Atualmente encontramos cerca de 500 ranários em diversas regiões do país. São criadas, principalmente para o consumo em restaurantes, o Instituto de Pesca, estima que a produção de carne de rã seja de 400 toneladas anuais. Para criação é necessário autorização do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. 


Criações comerciais também precisam de autorização do Dnaee - Departamento Nacional de Água e Energia, e da Secretaria de Agricultura. É preciso calcular a quantidade de água necessária para manutenção e higiene dos ranários, de modo que se possa criar rãs sadias, bem como, também, apresentar uma proposição de tratamento dos resíduos (lixo) e água utilizada para que o meio ambiente e vizinhança humana não sejam prejudicados.

A criação de rãs naturalmente conduz os ranicultores a se encontrar. Nos Estados Unidos da América do Norte, além desses encontros zoo-técnicos, onde se aprende e ensina a criação desses animais, no estado da Califórnia, organizou-se uma competição de rãs (Rana cateisbeiana) que reune participantes do todo país para escolher a rã que salta mais alto. Essa competição foi  inspirada na história humorística de Mark Twain "A rã saltadora de Calaveras County"

    Bibliografia /sites

Storrer, T.I.; Usinger, R.L. - "Zoologia Geral" (2a. ed.). SP, Nacional, 1976.
Rodrigues, S. A. Zoologia, espectro e perspectiva do reino animal. SP, Ed Cultrix, 1978
Martins, M.; Sazima I.. Dendrobatídeos, cores e venenos. 
RJ,1989  Ciência Hoje v 9 nº 53
Fabichak, I. Criação de rãs. SP, Ed. Nobel, 1984
Frota M.Cristina. Como criar: rã (VIDA NA FAZENDA) http://revistagloborural.globo.com (maio, 2005)
Vieira, Márcio Infante. Produção comercial de rãs, SP, M.I. Infante, 1981

Ranicultura - http://www.pescar.com.br/mbras/texto.htm 08/08/2000

Afora as imagens do CLIPART COREL 9 e GIFMANIA
utilizamos imagens de Anuros dos sites abaixo indicados

Conheça os Anfíbios do Brasil

Mike Pingleton

Art & Science