Mitos & Lendas

 

                      O Sapo Sabido

 

Adaptação de mito indígena Kamaiurá
Há muito tempo atrás o sapo não caçava com sua língua retractil, ele saltava sobre as presas, mas achava isso pouco prático.

O sapo morava perto da onça e sempre via ela caçar com seu arco e flecha, nessa época, a onça ainda não tinha aprendido a caçar aproximando-se silenciosamente e pulando sobre suas presas. Um dia o sapo resolveu ir a casa da onça para lhe pedir o único arco e flecha que ela possuía.


Quando o sapo chegou lá a onça, que também queria aprender o pulo do sapo, nem deixou ele falar e foi logo dizendo: Bom dia compadre sapo estava indo na lagoa tomar um banho vamos comigo.

O sapo pensou, vou nadar com ela, quando ela estiver bem cansada eu peço o arco e pronto Uns meninos que estavam por perto comentaram: Ih! a onça vai ficar pra trás e comer o sapo, o sapo ouviu mas fez que não ouviu e disse vamos compadre

No caminho a onça tentou diminuir o passo para atacar o sapo mas ele diminuía também e seguiram ali lado a lado

Chegando na lagoa a onça tratou logo de aprender o pulo do sapo e passaram o dia treinando.

Chegando de tardinha o sapo disse vamos embora compadre, a onça disse vá indo que eu vou atrás, o sapo lembrou da conversa dos meninos e pegou um bocado formiga de correição e espalhou pelo caminho. Essas formigas também são chamadas esquenta pé, porque a pessoa tem que ficar pulando batendo pé para se livrar das picadas.


A onça quando ia chegando perto as formigas lhe picavam e ela batia o pé se denunciando O sapo então falava sempre- é você que está aí comadre? atrapalhando o ataque surpresa do onça e seguiram assim até a casa da onça.

Chegaram lá de noitinha, a onça então falou compadre é melhor dormir aqui, a noite é muito perigosa na floresta. Ora o sapo pensou um dos maiores perigos da floresta é a onça que caça de noite, por isso pegou dois pirilampos e esfregou nas suas pálpebras e ficou com os olhos fechados.

De noite a onça resolveu morder o sapo mas viu seu olhos brilhando e pensou que ele estivesse acordado passou a noite toda acordada esperando ele dormir.

Quando chegou de manhã ela bastante cansada falou - lindo dia em compadre sapo e aí ele acordou dizendo - Hum! que noite agradável, foi só aí que a onça percebeu que ele estivera dormindo e ficou danada de raiva, mas estava tão cansada que só queria dormir. Nessa hora o sapo aproveitou e disse: - comadre onça me dá o seu arco e flecha? E ela, com muio sono, sem saber direito o que estava dizendo falou para ele pegar, ele não titubeou, botou na boca e saiu pulando.

 pega!

A onça quando acordou percebeu que havia sido enganada, mandou as cobras pegarem ele para matar, as cobras foram atrás. Mas quando a cobra armava o bote e dava um pulo ele dava dois, até que a jararaca conseguiu pegar ele no final da tarde.   

Foi ai que o sapo falou - se você for me matar,  não me solte do alto daquela serra 
porque não gosto de altura,
a Jararaca que já estava com raiva dele respondeu

 - pois é isso mesmo que eu vou fazer e largou ele lá de cima bem na hora que a lua ia passando, exatamente como ele calculou e assim ele chegou na lua, dizem que até hoje ele anda por lá.

 Por isso que hoje a onça não come sapo
 e nem caça com arco e flecha

         Kamaiurá

Visite o Museu do Índio

Kamaiurá

Os Kamaiurá são índios de língua tupi que vivem no Alto Xingú, a história contada acima é uma adpatação feita de um mito dessa nação indígena contado por Orlando e Cláudio Vilas Boas. Os mitos revelam conhecimento sobre  a natureza e também explicam o modo de ser de cada tribo.

Visite o Museu do Índio: http://www.museudoindio.org.br

Ditados, expressões populares

"Engolir sapo" quer dizer alguma coisa bastante indigesta e perigosa exatamente porque são venenosos, se diz isso quando uma pessoa tem que enfrentar ou suportar alguma situação difícil que não tem como se recusar, pois um sapo cururu uma vez engolido vai ficar secretando seus venenos até ser vomitado.

       Uma lenda chinesa da Lua

 

Conta uma antiga lenda chinesa que o Arqueiro Yi-Bo recebeu da rainha do Ocidente a missão de guardar uma poção que daria a imortalidade a quem bebesse. Chegando em casa com a poção, Nan chán, a mulher do arqueiro, lhe pediu um pouco daquela bebida e ele negou. Ela espera, até a hora que ele se distrai e dorme,  aproveita então essa hora, rouba e foge com essa bebida . Foge para bem longe, para montanha mais alta. O arqueiro desolado, sem saber o que fazer, volta ao palácio e conta a rainha e ela conta ao imperador. O imperador sem piedade ordena que ele a persiga e mate.

eclipse

Nessa altura dos acontecimentos Nan chán já havia chegado na Lua. Chegando lá A mulher de Y-Bo pega essa poção e bebe, hora em que se forma o Tch'eu (eclipse) palavra que em chinês quer dizer - o sapo devora a lua. O Imperador assustado manda que seus arqueiros atirem flechas mas a mulher de Yi-Bo havia transformado-se no que sempre fora e ninguém sabia, a deusa Lua, e nenhuma flecha lhe atinge.

eclipse

Seu marido arqueiro se transforma em sapo, porque não reconheceu que aquela camponesa, não iria permitir que uma rainha qualquer, tomasse a poção da imortalidade. Na China durante muito tempo os arqueiros disparavam flechas para lua, em um ritual que lembrava esse acontecimento e até hoje a  lua sempre vem anunciando a chuva, que tanto alegra as rãs e os descendentes do sapo que já foi seu marido. É por isso até hoje, no oriente se diz que, quem ama o sapo parece amar a lua.

 

Provérbio chinês,           
atribuído a Chuang - tsé

A Jia do poço nada sabe sobre o mar  

o ideograma chinês de sapo lembra uma rã caindo na água

Esse provérbio explica que as pessoas que estão limitadas a seu mundo de problemas e interesses pessoais nada podem saber sobre a realidade assim como a Jia ou rã que vive em um poço nada sabe sobre a água que corre nos rios que desaguam no mar.

        

       Historia da cobra Surucucu e do Sapo Taro Beque

Um dia uma cobra Surucucu chamada Lachesis estava muito triste. Essa cobra era amiga de um sapo colombiano chamado Taro Beque às vezes eles se encontravam para trocar idéias e conversar. Naquele dia ela precisava fazer isso.

Lachesis estava triste pela má fama que tinha adquirido, ninguém podia lhe ver que era aquela gritaria: Olha cobra ! Pega, pega ! Mata, esfola! Cobra! Cobra! Ela dizia só não fecho os olhos e choro porque isso não é coisa que cobra faça, mas é essa a vontade que me dá.

- Você é tão bonito,  dizia ela, - toda sua família é linda colorida ninguém tem medo de você. O sapo muito compreensivo tudo fazia para consolar a colega mas nada parecia adiantar, até que ele teve uma idéia.

- Compadre, vamos lá perto daquela aldeia dos índios quando passar alguém pra ir fazer xixi você pica e eu apareço e depois eu mordo e você aparece

- Não vai adiantar disse a cobra desanimada, mas deixe eu ir primeiro, só pra ver o que acontece, e assim eles fizeram.. Naquele tempo os índios tinham o lugar certo de fazer xixi num matinho perto da aldeia, quando já estava muito poluído eles mudavam a aldeia de lugar, essas mudanças eram decididas pelo pajé que examinava também a as temporadas de caça.

Era uma noite de lua, a noite estava clara que nem o dia. Quem primeiro apareceu foi uma mulher que veio fazer xixi, ela veio se abaixou e xiiii...xiii, fez o que tinha de fazer, quando ia voltando a cobra arma o bote e sssss pic!... e, o sapo... tcham! apareceu na frente dela. A  índia sentiu aquela dor e nem viu direito aonde cair, com o grito ai! ai! ai! seu povo veio lhe acudir, mas quando viram Taro Beque, foram logo lhe tranqüilizando, dizendo quem lhe mordeu foi um sapo, não tem problema nenhum.

A mulher passou mal, levaram ela para deitar na rede. A índia tremia, suava frio, teve diarréia, dizia que não via nada, saiu sangue das gengivas, mas ela logo lembrava, quem me mordeu foi um sapo, depois logo veio o pajé, soprou um pouco de fumaça na mão e no pé, deu umas ervas para ela beber e lembrou a ela, - quem lhe mordeu foi um sapo,  e assim a índia foi se acalmando.

O sapo Taro Beque e a Cobra Lachesis de longe tudo assistiam.

        Passou um dia, passou outro, nada acontecia, apesar do veneno mortal, ela não morria, aos poucos foi se recuperando mancando da perna e viveu muitos anos contando sua história daquela mordida que ela não sabe se foi de sapo, perereca ou de jia.

Agora chegou a minha vez disse o sapo, Taro Beque cortou um graveto e fez uma ponta depois se escondeu atrás de um arbusto, na hora que um índio passou pulou na perna dele e bateu com o graveto para imitar o dente da cobra, depois se escondeu de novo, nessa hora a cobra apareceu. O índio viu aquela serpente e sentiu um tremor frio seu coração parecia que parar de bater ele não deu dois passos e caiu, ficou gemendo baixinho, uma cobra, uma cobra me mordeu, o companheiro dele quando ia passando confirmou, viu uma cobra e disse: uma cobra lhe picou, e logo, logo o índio ofendido começou a ter dificuldades de respirar e morreu.


O sapo Taro Beque e a Cobra Lachesis de longe tudo assistiam mas, como bons pesquisadores, não se convenceram.

Até hoje a cobra e o sapo discutem, melhor é o seu veneno do que o meu. O sapo dizia eu apareci ela não morreu e se o veneno fosse o meu ? O macaco que ia passando ficou indignado com tanta maldade em nome da ciência e atirou uma flecha naquela direção, mas o cobra correu e o sapo? O sapo se escondeu.

Moronguetá um decameron indígena Nunes Pereira

Essa é história do folclore da Amazônia de origem em mitos indígenas. o antropólogo Nunes Pereira publicou em 1980 um versão contada por um descendente dos índios Tarianos do Vale do Rio Negro. Em algumas das versões populares dessa história o sapo é substituído por um calango, contudo, pelo que se sabe, com exceção do monstro de gila, não existem lagartos venenosos.